Linha Afro Black - Flower Cosméticos


Há um tempo atrás recebi esse Kit Afro Black da Flower Cosméticos. Um conjunto de shampoo, condicionar e máscara de hidratação, ideal para cabelos crespos, afros e afins. Para quem me acompanha no instagram, sabe que sou apaixonado por produtos para cabelo, principalmente os recomendados para cabelo cacheado. Resolvi testá-los para escrever uma resenha por aqui. Quer saber o que eu achei? É só continuar lendo este post!
 

O meu cabelo: para você saber sobre a estrutura dos fios em que os produtos foram testados, o meu cabelo tem cerca de 12 cm, fios grossos e estava um pouco ressecado devido à descoloração e pinturas.


A promessa: o shampoo e o condicionador (330ml) oferecem um cuidado diário, deixando os fios macios, brilhantes e fáceis de desembaraçar. Já a máscara (330ml) possui em sua formulação queratina e tutano, que nutrem e hidratam o couro cabeludo e os fios, proporcionando brilho, maciez e a reposição de queratina nas cutículas abertas.


O shampoo não faz muita espuma e a sua textura é um tantinho perolada, daquelas que escorrem fácil na mão. O condicionador e máscara possuem a textura mais consistentes. A título de curiosidade, os produtos são em tonalidade rosa e possuem cheiro de tutti-frutti.



Depois de lavado e seco, a hora da verdade! Após utilizar os três produtos, os fios estavam com menos frizz e mais fáceis de desembaraçar para fazer a finalização. A máscara de hidratação pode ser deixada no cabelo por apenas 15 minutos, é leve e deixou meu cabelo com brilho e com um cheiro agradável após a lavagem. 


Em geral, eu gostei muito e senti que a linha deixou o aspecto do meu cabelo melhor em questão de instantes. Recomendo bastante para quem deseja nutrir fios secos, mas não tem muito tempo durante o dia. Porém os produtos possuem sulfato, o que pode ser desfavorável para quem gosta de low-poo.

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Ser preto e gay: dois pesos diferentes






Que nós vivemos em um país miscigenado, isso não é novidade para ninguém. Índios que aqui já habitavam antes da colonização, os europeus que aqui chegaram e tomaram tudo e, posteriormente, os africanos que foram trazidos como escravos. Mesmo após a abolição da escravatura, aqueles que foram escravizados permaneceram com pouco. Diga-se, com quase nada. 

Décadas se passaram e aqui estou eu. Preto, gay e de classe média. Cresci com muitos problemas dentro de casa, durante o ensino fundamental estudei em uma escola pública que existe no meu bairro e no ensino médio pude estudar numa escola estadual onde o ensino era prestigiado. Sem cursinho, me dediquei aos estudos - que eram intercalados com minha jornada de trabalho. E, apesar de todo cansaço, consegui uma bolsa em uma universidade particular. Nenhuma novidade até aqui, né? Muitas pessoas passam por isto ou situações piores. 

Mas, dentro da minha realidade, algumas questões sempre foram delicadas e difíceis de lidar. Durante a minha trajetória, ser negro e gay nunca foi algo fácil. Primeiro porque, apesar da miscigenação, o padrão de beleza e objetivo dominante em nosso país é o do homem branco ocidental. Eu, enquanto homem negro, sempre me vi cercado do racismo e preconceitos estereotipados ao ser preto: pobre, incapaz, inferior e feio. Sempre vive em uma realidade estigmatizada, cheia de marcadores históricos e marcas de exclusão. 


E depois por ser gay. É quando os estigmas ficam um pouco pior – porque numa sociedade heteronormativa, onde os valores culturais são predominantemente brancos, me via duplamente excluído, por ser negro e gay. Ser gay no Brasil particularmente, é excessivamente americanizado, elitizado e cheio de marcadores, ou sejam: o poder aquisitivo, o corpo malhado, a beleza sutil do branco, são evidenciados de forma excludente nos locais gays. 

Era e é uma carga dupla, dois pesos diferentes. São duas causas distintas, mas que, quando juntas, levam a uma realidade ainda mais difícil de ser encarada. Por um lado, nunca me vi aceito pelos homens negros, justamente por ser gay e do outro, não me sentia completamente aceito no meio LGBTI por ser negro. No movimento LGBT existe uma sutil exclusão dos negros, construída social e historicamente. Mas por que sutil? Porque as coisas não são ditas, apenas são estabelecidas. 

Existe entre os gays (generalizando e em particular), o sonho do namorado perfeito, branco, másculo, viril, rico, bem-sucedido, para se ter ao lado. O que leva à solidão da bicha preta (assunto para outra hora). Nós não nos damos conta desse pré-conceito vedado em nós, até em mim, negro e gay. Todo esse desejo é sutil, seus efeitos são na subjetividade, já que muitas das vezes nada é dito, nada é falado. Quantas vezes numa festa gay, desejamos os caras padronizados e deixamos de lado aquela mana negra? Nunca paramos para pensar que não, não é questão de gosto e sim, construção social.
Durante um tempo, precisei (ou tentei) responder à uma cultura de branqueamento, alisando meu cabelo e me portando como um gay mais normativo. O que foi uma frustração, não era eu (como disse nesse texto). Ser inteligente, gostar de estudar e ter planos para o meu futuro não era o suficiente, não para outros gays, não para ser parceiro de alguém. 


O preconceito, a discriminação e homofobia ainda são dilemas e precisam ser discutidos diariamente em nosso país. Viver com um fardo de uma sociedade padronizada ainda é motivo de dor e sofrimento, para mim e muitos outros que se encontram diante dessa realidade, um sonho de vida do qual ainda não faço parte. O sonho do gay branco americano ou europeu (muitas vezes apresentados em filmes), não tem nada a ver como a minha forma de ser, meu jeito ou estilo. A desconstrução de tais estigmas se dá a partir da união dos movimentos, dos coletivos, sem exclusão. 

É preciso que negros gays façam parte e se sintam representados por seus iguais. Se faz necessário o debate e troca de ideias, a fim de se estabelecer um ideal que ampare a todos. O que acontece aqui, é desvalorização do que somos e de quem somos, e isso leva-nos a assumir uma vida que não é nossa e exclusão dos julgados como diferentes
 

Ps.: Não estou desmerecendo brancos ou os demais integrantes do movimento LGBTI. Expus algo que faz parte da minha experiência e da qual tenho capacidade de falar sobre.

Meu processo de empoderamento e aceitação enquanto negro




Há quase um ano atrás eu começava minha transição capilar. Por quatro longos anos sempre alisei meus fios. Antes de começar a alisar, nunca tinha me sentido como uma pessoa de verdade. Por muito tempo não conhecia minha verdadeira identidade.

Desde criança, sempre ouvi insultos dos meus colegas de classe, por ter o cabelo crespo e aparência black power. Por diversas vezes, faziam rodas para me zoar e chamar de assolam, cabelo de palha e muitos outros – que felizmente já não me lembro. E mesmo que eu falasse à diretoria da escola, nada mudava. Apenas diziam que era coisa da idade e bullying era muito comum nessa faixa etária. 

Ao ir para o ensino médio, as coisas pareciam ter melhorado. Não havia mais zoação ou perseguição pelo meu cabelo. Todavia, ainda não me sentia parte da turma, nunca me senti satisfeito com minha aparência. Talvez fossem as marcas das brincadeiras de mal gosto, possivelmente a falta de representatividade ou por minha família nunca tocar no assunto comigo. Afinal, de quem poderia ser a culpa? 

Foi então que, para me sentir bem, comecei a alisar meu cabelo ou raspa-lo. Tudo, definitivamente, estava resolvido. Me sentia pertencente ao meu grupo de amigos. Era “igual” aos outros.

O tempo passou e aquilo começou a não fazer mais sentido. Não me satisfazia e comecei a perceber que havia algo errado. Notei que durante todo esse tempo, mesmo me sentindo bem, tinha perdido minha identidade – na verdade, nunca soube qual era ela de fato. O problema não era alisar o cabelo, não havia nada de errado nisto. Contudo, estava fazendo aquilo para me sentir parte integrante da sociedade, não enxergava que se resumia apenas em seguir um padrão que a sociedade, por muitos anos, (em)pregava. 

Me dei conta que nunca tinha me aceitado como preto. Estava preso a estereótipos que, ao longo do meu amadurecimento enquanto pessoa, foram ditados a mim. Pela mídia, pelos meus colegas e pela minha família. E tinha aquilo como verdade absoluta. 

Os negros (assim descritos nos livros), sempre foram colocados apenas como escravos, afinal, esta foi a ‘função’ deles no Brasil – assim como também, dos índios. Mas nunca tomei conhecimento (em sala de aula ou televisão), que eles também foram poderosos e reinaram por anos no antigo Egito. Nas novelas, nunca tiveram um papel como protagonista. Foi esta a realidade que vivi durante minha infância e adolescência.

Aceitar meu cabelo foi minha porta de entrada para me aceitar enquanto ser humano preto. Tomar ciência do quão importante era assumir minhas raízes e características, fazia parte de um processo de autodesconstrução. Um progresso que parte de dentro para fora. E é disto que se trata o empoderamento, conscientizar-se e dar-se conta do seu poder. Reconhecer que você é capaz de ser autor da sua própria história e lutar pelos direitos, não somente seus, mas do grupo. 


“Empoderamento é singular e é plural. Singular no sentido de que é um processo individual e pode ocorrer pelas mais diferentes motivações. Plural porque por meio do empoderamento aprendemos que a luta é coletiva, em prol d@s irmãs e irmãos.”


Porém, vai além de estética. Uma roupa maneira e o black assumido não faz de você um empoderado ou mais negro que o seu irmão. É perceber a dimensão, política e social, que está representada em se aceitar e assumir o seu cabelo natural. Que, mesmo vivendo em uma sociedade ‘evoluída’ e do conhecimento, existe racismo, que somos discriminados por nossos fenótipos e combate-lo diariamente.  Perceber que os seus traços, a sua cor de pele e o seu cabelo são lindos também é se empoderar. Mas empoderamento não é só isso e ser natural não é a única porta de entrada, embora tenha sido a motivação de várias pessoas, inclusive a minha.

Empoderar-se é tomar consciência que a sociedade precisa de mudança, participar de ações coletivas, perceber sua importância para o coletivo, é (r)existir. Estamos juntos nessa e, somente assim, poderemos ser livres.