Como e por que eu fiz transição capilar?

YAAAS! Olha quem voltou, eu mesma, Andrea Mello! Brincadeira, sou eu, o Guto!

Vamos ao que interessa: meus cachos azuis. Vou contar como e, principalmente, por que eu decidi fazer transição capilar para voltar ao natural. Ao longo do texto coloquei algumas fotos (selfies, era o que tinha pra hoje), que mostram um pouco da mudança do meu cabelo durante o meu processo de transição.

Quem me conhece a mais tempo, deve se lembrar que por alguns anos usei meu cabelo alisado. O que sempre me demandou um cuidado a mais com ele. Em 2014 queria pintá-lo, então comecei a usar tonalizante até o início de 2015, quando criei coragem e pintei de ruivo.


Até aí tudo bem. Eu pintava, alisava e hidratava. Fiquei assim durante o ano de 2015 todo, quando o pior aconteceu. Num desses processos, meu cabelo ficou emborrachado e elástico. Mas por que? Porque o cabelo perdeu queratina, proteína e pigmento, ficando muito fino e quebrando facilmente. Tentei recuperar, mas a melhor solução foi raspar. Inclusive muitas pessoas estranharam.



Eu queria meu cabelo colorido de volta, mas sabia que continuar com o processo anterior demandaria cuidado em dobro.  Mas como sou teimoso, alisei novamente no inicio de 2016. Atrás de uma solução, fui pesquisar e ler sobre cabelos, até que deparei com a matéria “assuma seus cachos” da revista glamour. Me dei conta que por muito tempo não via meu cabelo ao natural, então continuei minha pesquisa, mas procurando sobre cabelos crespos e cacheados.

A partir daí me dei conta de que eu precisava assumir meu cabelo natural. Não por beleza, mas em respeito a quem eu sou. Precisava aceitar que meu cabelo natural era tão bonito quanto o liso, mas que por muito tempo, acreditei ser o melhor para mim. Naquele momento resolvi que queria finalmente assumir os cachos. Então decidi que faria transição (antes eu tivesse raspado na zero).



Para quem tem interesse em assumir o natural, existem dois processos: A transição ou o Big Chop (grande corte). A transição é o momento em que você para com todas as químicas e vai tratando seu cabelo enquanto ele cresce.

O único processo químico que continuei a fazer foi a descoloração (quando a raiz ficava muito grande), para passar o tonalizante colorido. O que se resolvia quando eu hidratava.

A minha transição capilar contou com um cronograma capilar, onde utilizei produtos de reconstrução, hidratação e nutrição nas lavagens, para ajudar no processo de recuperação do cabelo. Além dos produtos para ajudar na definição dos cachos. 

Eu comecei meu processo em março deste ano (2016) e atualmente meu cabelo tem aproximadamente 6cm de fio natural e 2cm com resquícios de química. Estou esperando chegar aos 8cm para me livrar desses 2cm que eram alisados. Descobri também que meu tipo de cacho é o 4A.

Cuidar dos cachos não é um trabalho fácil, exige paciência e dedicação, mas o resultado é realmente gratificante. Nesse tempo pude perceber que minha autoestima e expressão fácil mudaram e, principalmente, minha posição enquanto negro. Eu vivia num estereotipo e aceitava que aquilo era o melhor para mim. Então me dei conta que precisava amar meu cabelo do jeito que ele é.  



“A aceitação derruba todo e qualquer comentário pejorativo a respeito de você ou do seu cabelo! Você se sente mais seguro (a) para enfrentar a sociedade preconceituosa e cheia de padrões, e o seu papel passa a ser o de desconstruir esses padrões. ” (Trecho adapto da revista Glamour)

Espero que tenha gostado de conhecer um pouco do meu processo de transição. Deixe seu comentário, é muito importante para mim. Beijos e até a próxima!