ÚLTIMA CARTA PARA VOCÊ


Olá,

Espero que onde estiver, esteja bem. Eu estou sozinho aqui esta noite escrevendo-lhe esta carta. Não espero que você a receba, muito menos que a leia. Mas não se preocupe, será a última vez que lhe escrevo. Escrevo mais uma vez, tudo aquilo que, provavelmente, não conseguiria lhe dizer. Por medo de te magoar, por falta de coragem e ser fraco para te dizer tudo que sinto. 

Estive no passado por alguns instantes e me lembrei dos momentos que tivemos juntos. Por alguns segundos posso até sorrir, mas as lágrimas não demoram muito para cair. Me lembro do nosso primeiro encontro, nosso primeiro beijo. Algo sempre me leva de volta a você. As palavras ditas, todos os planos feitos e o modo como conquistou. Aos poucos roubou meu coração, me hipnotizou e caí de joelhos para você. Me tornei escravo do teu amor. 

Noites sem dormir desde que você se foi. Levou contigo minha sanidade. Eu caí aos pedaços como um castelo de cartas. Será que estou ficando louco?  Você me enlouqueceu. Apesar de tudo você ainda faz meu coração pular. Eu só queria saber por que você fez com que eu me apaixonasse se era tudo uma fantasia. Por que me conquistou se era tudo uma ilusão? 

Foi bom, foi real. Para onde foi o amor eu não sei, mas me queimou demais. Em um instante você estava aqui, mas agora se foi. Me sinto dilacerado e vazio por dentro. Agora você faz parte de tudo que já perdi e nunca mais terei de volta. Eu sinto falta dos seus olhos escuros, sinto falta das nossas brincadeiras bobas, sinto falta de comer pizza com você, sinto falta de arranhar nossas barbas, falta do seu abraço. Mas não havia um pote de ouro no final do nosso arco-íris. 

Eu provei um pedaço do seu doce amor. Acreditei que poderíamos ter um amor melhor. Não foi o suficiente. Eu não te odeio, mas não te amo mais. Amei o tempo que passamos juntos, mas é preciso continuar. Espero que seja feliz. Você foi o meu veneno e a minha cura. Eu sobrevivi ao seu amor. Hoje vivo para esquecê-lo. 

Cordialmente,
Baby.

Sexo, Lana e cigarros

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Era uma tarde de domingo e um calor terrivelmente insuportável tomava da cidade. Definitivamente odeio calor, é como se tudo se tornasse entediante e cansativo. Parecia que nada, nem o ventilador que rodava sob mim, poderia aliviar minha tensão. 

Os últimos dias foram devastadores com calda de melancolia. Toda minha vontade era arrancar tudo o que estava me abalando e seguir, mas parecia emocionalmente impossível. Permaneci o dia todo confinado em meu quarto, pensando sobre como nosso conto de fadas se tornou em um aterrorizante pesadelo. Mas não era preciso uma resposta, sabia exatamente o que precisava ser feito neste momento. 

Apanhei meu celular que se encontrava sobre o criado-mudo e observei algumas notificações que se encontravam na tela, naquele momento nada me interessava, a não ser encontrar o que eu realmente necessitava. 

— E ai, qual a boa pra hoje? - enviei presunçosamente para um cara que se encontrava em minha lista de contatos havia algum tempo. 
— Opa, beleza? - fui notificado poucos segundos depois. - Estou em casa, cheguei de uma festa agora há pouco. E você?
— Estou em casa, mais precisamente na minha cama, entediado. Quer ficar hoje?
— Estou bêbado, jogado no sofá, culpa do álcool. Sozinho em casa… - bingo! 
— Mas e sua mãe e irmã?
— Minha mãe está na casa da minha tia, minha irmã não faço ideia. - Acho que, apesar de todo o calor, algo soprava a meu favor.
— Então, o que me diz? - era hora do tudo ou nada.
— Acho uma ótima ideia. Em quanto tempo você chega?
— Quinze minutos, não mais que isto. 

Bang! Pode parecer idiota e egoismo dizer isto, mas definitivamente nunca brinquei quando o assunto é encontrar um cara disponível. Às vezes me sinto na selva, em busca de uma presa pronta para ser atacada. Nunca estive com este antes e não sabia o que esperava por mim. Conversamos algumas vezes, mas nunca nos vimos. Apenas likes e likes. 

Apressei-me. Coloquei um boné, peguei minhas chaves e o celular, saindo sem dizer para meus pais aonde ia. Ele morava no bairro ao lado, mas nada que necessitasse de pegar um ônibus, apenas apertei o passo para chegar em sua casa o quanto antes. O sol já tinha se posto no momento em que fui ao encontro dele, o que fez com que me esperasse na esquina, sob a luz de um poste. 

Ele me cumprimentou, dando-me um beijo acompanhado de um abraço caloroso. 
— Vamos entrar? - Indagou ele, gentilmente, abrindo a porta e dando-me a dianteira.
— Obrigado. - Agradeço. 

Ao entrar, apesar de sabermos onde isto chegaria, não nos agarramos. Sempre me certifico de que não vou sair com qualquer cara, para ter certeza de não será apenas mais uma fast-foda. Sentarmos na sala, onde tocava uma playlist aleatória, muito agradável. 
Permanecemos conversando sobre nossas vidas, faculdade, família e assuntos aleatórios. Não percebemos o tempo passar. 

— O que acha de ouvirmos algo mais calmo? - Sugeri.
— O que indica?
— Lana Del Rey. - Foi que me pareceu mais apropriado para o momento.
— Acho que Lana pede cigarros. Aceita?
— Claro, ótimo acompanhamento. 

Enquanto eu colocava a nova playlist, ele buscava os cigarros, dirigindo-se para o sofá novamente. Sentei-me ao seu lado, pegando o cigarro que me oferecia. Acendi, dando o primeiro trago, enquanto a música começava a tocar. Depois de algumas tragadas já era possível sentir o corpo mais leve, todo aquele stress que tomava conta de mim se foi. Nos encontrávamos em silêncio, o ambiente foi embalado pela sonoridade suave das músicas e nossas trocas de olhares e leves risadas se intensificavam. Nossos joelhos se encontravam, roçando um contra o outro, provocando o início de um desejo corporal. Começou suavemente a acariciar minhas pernas, provocando cada vez mais minha vontade de ter seu corpo junto ao meu. Era minha vez de avançar. Aproximei meu rosto ao dele, trocando olhares cada vez mais intensos e penetrantes. Agarrei a gola de sua camisa, fazendo com que nossos rostos se encontrassem, provocando um atrito entre nossas barbas. Afastando seu rosto do meu, colocou nossos corpos a um braço de distância, o que não durou muito tempo, quando mais que depressa, fez nossos lábios se tocarem, fazendo com que meu corpo se incendiasse imediatamente. Correspondi ao beijo, pressionando meu corpo contra o dele, fazendo-o recostar sob o sofá. Não demorou muito para entrarmos em uma harmonia e estarmos tomados de desejo. Nosso beijo era feroz, nossas mãos percorriam por nossos corpos, que neste exato momento se encontravam dominados pelo calor e entusiamo de nossos atos. Apaguei a luz. Apenas nossos corpos e a música se faziam presentes ali. Estávamos dominados um pelo outro. 

Quando você se foi



São três da manhã,
todos se foram deitar.
A solidão me faz companhia.
Me sinto tão sozinho.
As lágrimas continuam a cair sobre o travesseiro desde que você se foi.
O ponteiro indica que as horas estão passando,
mas o tempo já não importa mais.
Meus pensamentos não fazem sentido,
só você me vem à mente.
Como é possível o coração
sempre escolher o caminho mais difícil?
Como é possível imaginar uma fantasia
e não poder vivê-la?
Você me roubou a paz,
minha insanidade
e me deixou viciado em seu amor.
Levou consigo toda a esperança,
arrancando de mim como arame farpado.
E agora, o sangue escorre pelo meu corpo,
levando embora, tudo que você foi para mim.